• 10 JUL 14

    Gestores preparam arsenal para período de eleições

    Luciana Seabra | De São Paulo

    Os fundos de ações do Opportunity têm tradicionalmente pouco giro, com o carrego de ações por longos períodos. Até os gestores da casa, entretanto, montaram uma estratégia de olho no curto prazo, na expectativa do resultado das urnas. "Por mais fundamentalistas que sejamos, não temos como ignorar o evento que é a eleição. Certamente vai ser um semestre com muita volatilidade e boas oportunidades vão surgir", afirma Philippe Perdigão, gestor do fundo "long and short" da casa. A postura encontra eco em outros gestores, ainda que busquem para a maior parte da carteira papéis que tendem a se comportar bem em qualquer cenário.

    Para Perdigão, vão surgir possibilidades de ganhos tanto em posições compradas, apostando na alta de papéis, quanto vendidas, na expectativa de queda do valor da ação. Do lado comprado, o gestor montou duas posições que considera terem uma boa assimetria, pela probabilidade de ganhos altos no caso de uma mudança de governo, sem a expectativa de grandes prejuízos em um cenário de reeleição. É o caso das ações de BM&FBovespa e BTG Pactual.

    Para BM&FBovespa, a expectativa do gestor do Opportunity é que a ação se valorize com um esperado crescimento do valor de mercado das empresas em toda a bolsa caso a oposição seja vitoriosa. A receita da companhia está ligada ao volume negociado, diz Perdigão, que deve subir. "Além disso, consigo traçar cenários melhores para o longo prazo, com mais empresas indo captar recursos na bolsa e redução da participação do BNDES na economia como fornecedor de capital", afirma.

    Para a ação do BTG, a tese é parecida. A empresa também ganha, para o Opportunity, em um cenário de mercado de capitais mais movimentado, com participação em fusões, aquisições e iniciativas de captação das companhias.

    O fundo também tem uma posição em Petrobras, via opções, com base na expectativa de cenários bastante distintos de acordo com o resultado eleitoral, porém pequena. "Acho que o mercado de maneira geral já precificou muito bem o valor esperado da eleição e essa assimetria nas ações mais triviais e lógicas, como Petrobras, Banco do Brasil e as estatais de forma geral", diz Perdigão.

    A Polo Capital também tem perseguido assimetrias no mercado. "Tentamos buscar ativos que julguemos que tenham distorção de precificação de cenários muito acentuada, em que qualquer mudança de expectativa possa ter impacto relevante no preço do ativo", diz Mariano Andrade, sócio da Polo.

    A casa montou, em janeiro, opções em Petrobras com vencimento para dezembro. "O mercado dava como certa a eleição de Dilma no primeiro turno, mas o cenário não é trivial. O Lula que tem um capital político muito maior teve que passar pelo segundo turno", diz Andrade. Ele considera que os próximos meses podem ser benéficos para as estratégias em ações, com a volatilidade trazida pelas pesquisas eleitorais criando algumas oportunidades de ganhos.

    A XP Gestão também montou uma posição especulativa em Petrobras no segundo trimestre com base no cenário eleitoral, que continua a carregar. "Não tenho convicção de quem vai ganhar e acho que a probabilidade maior ainda é da Dilma, mas tenho grande convicção de que o segundo turno vai ser uma disputa acirrada. A assimetria me parece boa", diz Marcos Peixoto, gestor da XP. Para ele, a ação da Petrobras pode chegar perto de R$ 30 em um cenário de Aécio presidente, enquanto pode descer às mínimas, próxima de R$ 12, no caso da reeleição.

    A gestora do Brasil Plural mantém a carteira bastante líquida para poder alterar as posições a qualquer momento em caso de uma virada nas eleições. Mais do que às pesquisas de intenção de votos, a casa está atenta aos índices de rejeição de Dilma. "A principal variável do eleitorado é a ansiedade por mudanças e isso se reflete mais nos índices de rejeição", diz Carlos Eduardo Rocha, o Duda, sócio responsável pela gestora do Brasil Plural. Para ele, é com o começo da campanha que vai ficar claro quem cai ou não na empatia do público.

    Com reflexo ou não nas posições, o consenso do mercado é que o período eleitoral será de montanha-russa para os investimentos. "A volatilidade alta vai gerar distorções elevadas. Quem tiver bem posicionado pode capturar ganhos interessantes", diz Elíseo Viciana, vice-presidente da Mapfre Investimentos.