• 11 JUN 13

    5 boas ideias de investimento para tempos bicudos

    Gestores e investidores estão mais pessimistas com o Brasil, mas, mesmo assim, não faltam oportunidades no mercado - basta se posicionar no lado certo

    Por João Sandrini

    Estive neste final de semana na Expert 2013, o congresso anual promovido pela XP Investimentos que reuniu cerca de 30 gestoras de recursos e seguradoras, cinco bancos médios e quase mil agentes autônomos de investimentos em um resort em Mogi das Cruzes (SP). Em um dia de conversas com ao redor de 20 investidores, ficou claro que o humor se deteriorou bastante nas últimas semanas. O Brasil só não deve perder o atual “rating” pela Standard & Poor’s se o governo enxugar gastos de uma forma que ainda não mostrou ter disposição para fazer. A inflação já afeta o consumo e continua a ser uma preocupação para quem investe em empresas ligadas ao mercado interno. Por outro lado, elevar a Selic e cortar gastos públicos para reverter a situação pode empurrar o país para uma recessão. Já se o governo continuar intervencionista e populista mirando as eleições, um cenário com inflação acima da meta por tempo prolongado, dólar pouco abaixo de R$ 2,50 e Selic de 10% passa a ficar mais factível para o final do ano ou 2014. Tamanho é o pessimismo que, entre os poucos gatilhos para a bolsa citados, estão a demissão do ministro da Fazenda ou pesquisas que mostrem a oposição ganhando força nas eleições presidenciais do próximo ano. Abaixo reuni algumas teses de investimento que podem funcionar bem em tempos bicudos como os atuais:

    1) Ter posições vendidas: para não ter perdas ou até mesmo lucrar com a bolsa em queda, é interessante ficar vendido em alguns papéis. A operação funciona assim: você aluga uma ação pagando uma taxa de juros ao doador, vende o papel em bolsa e, quando ele cai, é possível recomprá-lo por um preço menor mais à frente. Se acha muito difícil montar a operação, uma boa ideia é investir em fundos long and short. Um dos primeiros fundos desse tipo a serem montados no Brasil é o Claritas Long Short FIC FIM, que já tem quase 11 anos de histórico de rentabilidade. Mesmo com toda a volatilidade dos últimos anos, o fundo só perdeu dinheiro em 2008. Ainda assim, a queda, de 4,57%, foi bem menor que a da bolsa como um todo, de quase 42%. O fundo é bem diversificado, monta entre 40 e 60 pares de ações compradas e vendidas e conta com um rigoroso controle de risco. Desde o início, a rentabilidade é de 468% - ou 161% do CDI. É importante uma ressalva: o fundo cobra taxa de saída, mas o investidor fica isento se avisar a Claritas 30 dias antes de realizar o resgate.

    2) Investir no exterior: enquanto a coisa está ficando feia no Brasil, os EUA continuam bombando. Uma ideia é aproveitar que muitos fundos multimercados podem investir até 20% do patrimônio lá fora para tentar surfar o otimismo dos americanos. É importante lembrar que 20% do dinheiro pode ficar no exterior, mas, se o gestor utilizar os recursos para investir por meio de algum derivativo, a exposição real do investidor ao ativo estrangeiro acaba sendo bem maior. Um exemplo de fundo que faz isso é o Opportunity Total FIC FIM. O gestor já fez investimentos em diversos continentes e, atualmente, está comprado em S&P futuro. Se as bolsas dos EUA continuarem em alta, portanto, o investidor pode capturar esse movimento na veia. Nos últimos 10 anos, o fundo apresenta rentabilidade equivalente a 157% do CDI. Só vale uma ressalva: a aplicação inicial mínima é de R$ 50 mil.

    3) Bolsa: apesar de o momento não ser bom para o mercado acionário, ainda há quem acredite que, garimpando bons papéis, será possível ganhar dinheiro como nos últimos anos. Quem não se considera um garimpeiro hábil o suficiente pode investir por meio de um fundo de ações. Rentabilidade passada não é12/06/13 InfoMoney: 5boas ideias de investimento para tempos bicudos garantia de rentabilidade futura, mas, durante a feira, fiquei bem impressionado com os fundos de ações da Quest Investimentos. Os fundos Quest Small Caps e Quest Top Long Biased estão em segundo e terceiro, respectivamente, no ranking InfoMoney de fundos de ações dos últimos 12 meses. Na verdade, os gestores de renda variável da Quest estão encabeçando a lista de melhores performances desde 2011. Aos interessados, uma dica importante: o fundo Quest Small Caps está com um patrimônio de R$ 280 milhões e fechará para captação quando chegar aos R$ 300 milhões.

    4) Small caps: as ações mais líquidas da bolsa estão muito bem precificadas e, em sua maioria, tendem a se desvalorizar se o mercado desandar. Mas também há papéis que ninguém olha e que podem estar bem fora do preço justo. Então, mesmo em um cenário macroeconômico ruim, algumas ações de small caps poderiam subir se o mercado passar a olhá-las com mais atenção. Um fundo de small caps que vem apresentando ano a ano resultados muito consistentes é o Victoire SmallCap Ações FI. A aplicação tem batido o índice de small caps da bolsa, com uma rentabilidade de 31,6% nos últimos 12 meses, 47,1% em 24 meses, 97,1% em 36 meses e 204,9% em 48 meses. O fundo aposta em poucas empresas. Neste momento, a carteira é formada principalmente por Marcopolo, Ferbasa e Millenium. O problema: resgates solicitados hoje só serão concretizados em 94 dias úteis.

    5) Títulos ou fundos de inflação ou prefixados: espere um pouco mais para investir. Esses papéis caíram muito nos últimos dias, mas não necessariamente estão baratos. Primeiro porque o mercado já começa a precificar um câmbio mais elevado por um período prolongado, o que deve ter impacto na inflação. Muita gente já aposta que a Selic tenha de subir para algo próximo a 10% ou mais. Como tal elevação ainda não é referendada pela curva de juros, quem entrar agora terá perdas se esse cenário mais pessimista se confirmar. Por ora, continue em ativos de menor risco, indexados à Selic ou ao DI, de preferência com baixas taxas e liquidez diária, para aproveitar eventuais oportunidades que surjam no caminho. Além da deterioração da economia brasileira, nos próximos meses já se espera que o Federal Reserve comece a retirar gradualmente os estímulos monetários nos EUA. A revisão do nível de juros por lá poderá levar a uma escalada global das taxas. Hora de jogar na defesa, portanto. Mas, um pouco mais à frente, se surgir a oportunidade de comprar papéis prefixados a 11% ou 12% ao ano ou títulos de inflação com taxas de IPCA mais 6% ou 7%, pode ser bem interessante aproveitá-la caso você seja um investidor com perfil de longo prazo.