• 21 OUT 15

    Dólar impulsiona multimercados

    Por Danylo Martins | Para o Valor, de São Paulo

    Os multimercados voltaram com força total neste ano após amargarem retornos minguados em 2013 e 2014. No acumulado até setembro, o multimercado do tipo macro apresenta retorno de 17,58%, perdendo apenas para os fundos cambiais, que renderam 51,21% até o mesmo mês, segundo dados da Anbima. Com alta de 3,34% no mês passado, os multimercados multiestratégia são o terceiro tipo de fundo mais rentável no ano, com retorno de 16,87%, superior à valorização do Índice de Hedge Funds (IHFA) da Anbima, que no ano rendeu 13,4%.

    Esses fundos, que podem adotar uma série de estratégias sem o compromisso de se dedicarem a uma específica, já acumulam patrimônio de R$ 400,5 bilhões. A categoria inteira de multimercados soma R$ 559,2 bilhões em ativos, montante que equivale a 19% da indústria de fundos.

    O retorno mais polpudo dos multimercados é fruto, principalmente, da estratégia em moedas. A bola da vez foi o dólar, que ajudou em grande parte no retorno obtido pelos principais gestores. A moeda americana fechou setembro com valorização nominal de 49,12% no ano e ganho real de 39%, uma verdadeira escalada. "De uma forma geral, os fundos se deram bem com a alta do dólar", afirma Marcelo d'Agosto, economista e consultor financeiro.

    Levantamento feito por d'Agosto, a partir de dados da provedora de informações financeiras Morningstar, indica que os multimercados mais rentáveis no ano até o fim de setembro são os que apostaram na moeda americana e também montaram estratégias de investimento no exterior. "O que explica, principalmente, o ganho adicional de fundos como Safra S&P 500 e Itaú Estratégia S&P 500 é que eles compraram ativos no exterior", aponta o consultor. A lista considera os fundos com mais de cem cotistas e mais de R$ 100 milhões em patrimônio.

    "Nosso maior retorno veio de estratégias na Ásia", diz Bernardo Carvalho, sócio e economista da Gávea Investimentos. O fundo da casa ganhou em posições do dólar não só contra o real, mas também contra outras moedas no continente asiático. "Nossa estratégia macro global faz com que a gente busque diversificação de regiões", conta. Metade dos ganhos, segundo Carvalho, veio da Ásia emergente, 30% de países desenvolvidos, como Japão e Estados Unidos, e 20% de países latino-americanos, como o México e Brasil.

    As incertezas econômicas e políticas não têm atrapalhado o desempenho dos multimercados. "O retorno está sendo alcançado mesmo com alta volatilidade", afirma Christian Lenz, diretor comercial do Opportunity. Ele conta que a gestora montou posições em dólar ante uma série de moedas, como iene, dólar australiano. "Foi uma aposta que deu ganhos. Hoje reduzimos as posições porque muito do movimento de fortalecimento do dólar americano já ocorreu". O multimercado mais rentável da casa, o Opportunity Market Master, sobe 13,42% no ano até setembro, com aplicação mínima de R$ 50 mil. Outro multimercado que se destaca é o Modal Tactical, gerido pelo Modal Asset Management. Com retorno de 17,45% no ano até setembro, mais de 182% do CDI no período, o fundo aproveitou o movimento da valorização cambial.