• 26 SET 13

    Economistas esperam estabilidade no mercado de trabalho em agosto

    A forte deterioração da confiança e dos indicadores de atividade observada em julho não contaminou o mercado de trabalho, que seguiu acomodado em patamares favoráveis nos primeiros meses do segundo semestre, avaliam economistas. Mesmo com perspectiva de desaceleração mais pronunciada do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, a expectativa é que os fundamentos do emprego não mostrem piora acentuada, embora reduções adicionais na taxa de desemprego também estejam descartadas pelos analistas.

    Em agosto, a média de 18 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data aponta que o percentual de desocupados em relação à População Economicamente Ativa (PEA) ficou em 5,6% nas seis principais regiões metropolitanas, mesmo nível de julho. As projeções para a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que o IBGE divulga hoje, vão de 5,4% a 5,9%. Se confirmadas as previsões, o desemprego terá subido em relação a igual mês de 2012, quando foi de 5,3%.

    Na média das estimativas, o economista-chefe do banco Opportunity, Alexandre Bassoli, afirma que a tendência de baixo crescimento do PIB - de 2% a 2,5% em termos anuais - é compatível com a manutenção das condições atuais do mercado de trabalho, com desaceleração no ritmo de criação de vagas, mas desemprego ainda em níveis baixos. Segundo Bassoli, mesmo após o ajuste sazonal feito pelo banco, a taxa de desocupação deve ficar estável ante julho.

    "Não teremos continuidade da queda do desemprego, mas também não vemos a economia fraca o suficiente para promover uma piora substancial do mercado de trabalho", diz Bassoli, para quem a alta de 1,5% da atividade observada no segundo trimestre foi um ponto fora da curva, mas a virada do primeiro para o segundo semestre também pode ser considerada como um período "excepcionalmente ruim". Esse período foi afetado pelas perspectivas da mudança da política monetária dos EUA e, do lado doméstico, pelas manifestações. A partir de agosto, porém, ele observa que já houve sinais de alguma melhora.

    Em relatório, a equipe econômica do Itaú Unibanco projeta que o desemprego vai subir ligeiramente, para 5,7%, em agosto, o que, feito o ajuste sazonal da instituição, resultaria no mesmo percentual. "A desaceleração da economia provavelmente vai levar a taxa de desemprego a aumentar nos próximos meses", dizem os economistas do banco.

    Para Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, as contratações temporárias para as festas de fim de ano devem garantir uma redução sazonal do desemprego nos próximos meses, mas, desconsiderando-se esses movimentos típicos da época, o mercado de trabalho seguirá em acomodação. No mês passado, Bacciotti estima que a taxa de desemprego permaneceu em 5,6%.

    O economista da Tendências destaca que, ao longo do ano, os indicadores da PME mostram estagnação: segundo cálculos dessazonalizados pela consultoria, o desemprego em agosto deve ficar em patamar igual ao de janeiro (5,6%), enquanto, na média das variações mensais observadas até julho, a PEA teve crescimento zero e a população ocupada (PO), que representa a quantidade de novos postos criados, também ficou praticamente estável, ao recuar 0,1%. "Como a PEA e a PO tiveram a mesma evolução, o desemprego se manteve nos mesmos níveis", disse.

    Do lado da renda, os economistas ouvidos avaliam que a descompressão da inflação pode favorecer alguma recomposição dos ganhos salariais, mas não vai alterar a tendência de reajustes mais modestos do que em 2012, quando o rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 4,1%. A Tendências projeta que a remuneração média dos ocupados vai avançar 1,6% este ano.

    Bassoli, do Opportunity, aponta que a depreciação cambial, ao gerar uma mudança nos preços relativos da economia, é o principal fator que joga contra uma alta mais forte da massa salarial na conjuntura atual. "A depreciação gera uma aceleração da inflação puxada pelos bens comercializáveis, que produz o efeito de reduzir o ritmo de crescimento dos salários reais", explicou. (AM)