• 28 JUL 14

    Multimercado sobe com ouro e Bolsa de NY

    Volatilidade prevista para próximos meses pode alterar desempenho de produtos que foram bem no 1º semestre

    Professor alerta para necessidade de cotista conhecer histórico do produto e entender riscos envolvidos

    Vinicius Perreira - Colaboração para a Folha

    Os fundos multimercado com melhor rendimento no primeiro semestre apostaram no ouro e na Bolsa de Nova York. Apesar do bom rendimento no primeiro semestre, o desempenho pode não se repetir no restante de 2014.

    Esses fundos enfrentam uma nuvem de desconfiança devido às perspectivas de acentuada volatilidade, trazidas pelas eleições presidenciais no Brasil e pelos conflitos geopolíticos recrudescendo no mundo.

    Para John Schulz, professor de finanças da BBS Business School, o cotista deve conhecer o histórico do fundo e ter paciência. "O investidor acompanha muito o retorno anterior. Por exemplo: ele vê o retorno do fundo no ano passado, de 20%, e aplica nele, mas precisa de cuidados para entender o risco que o administrador está correndo, podendo, assim, ter grandes prejuízos", afirma.

    O fundo do segmento que teve o maior retorno, de acordo com o ranking elaborado pelo Sistema Comdinheiro de acompanhamento de fundos para a Folha, guarda um exemplo da volatilidade enfrentada nesse tipo de fundo.

    Nos últimos seis meses, o Itaú Multimercado Estratégia Ouro teve rendimento de 12,21%. Porém, os números dos últimos 24 meses marcaram uma queda de 13,02%. De acordo com Arlindo Penteado, responsável pela área de portfólio da Itaú Asset Management, o fundo não conta com grandes estratégias e o rendimento acompanha o valor do ouro no mercado internacional.

    O segundo colocado, o WM American, gerido pelo Citibank, aposta em ativos da carteira do índice norte-americano S&P 500. Com um rendimento de 11,30% nesse primeiro semestre, o gestor Claudio Sternberg afirma que irá continuar com as mesmas estratégias ao longo do ano.

    "Na prática, o rendimento é Bolsa americana mais juros brasileiros", afirma. Segundo Sternberg, a perspectiva é que o índice norte-americano continuará dando retornos positivos.

    "Teremos a normalização das condições de crédito norte-americanas e do mercado imobiliário, novos investimentos em energia e recuperação das empresas de gás de xisto, já que estão voltando a produzir mais nos Estados Unidos. Então apesar da alta, julgamos que a Bolsa americana ainda não está cara", conclui o gestor.

    O terceiro colocado do ranking tem, segundo seu gestor, a meta de bater o retorno do CDI. E nesse semestre o Opportunity Equity Hedge conseguiu esse feito, obtendo ganho de 10,92%.

    Segundo Felipe Perdigão, gestor do fundo, a sua estratégia é proteger a carteira da queda da Bolsa como um todo. O período até o final do ano, em sua visão, é curto para dar uma certeza de rendimento. "Mas, por outro lado, podem surgir boas oportunidades", afirma.