Cenário Macro Atual As tensões militares no Oriente Médio seguiram como foco central dos mercados durante o mês de julho. Entre a descompressão observada em junho e a retomada em julho, o preço médio do petróleo permaneceu estável nesses dois meses, cerca de 20% acima do nível pré-conflito. Os spreads de produtos refinados voltaram a subir, e os sinais de atividade econômica global permaneceram positivos, levando a mais uma rodada de alta nas curvas de juros. Concomitantemente, surgiram novos episódios de correção em algumas ações ligadas ao setor de tecnologia na Ásia e nos EUA, além de uma nova ofensiva tarifária por parte dos EUA. Mesmo com esse pano de fundo, temos observado um impacto limitado sobre a ancoragem das expectativas de inflação e sobre as medidas de risco de forma geral, embora haja distinções significativas entre geografias.
Apesar do impacto negativo sobre o poder de compra representado pelo choque nos preços da energia ocorrido desde março e pelas incertezas ainda presentes em torno dele, o conjunto de dados efetivos e de pesquisas divulgados em julho sinalizou, em linhas gerais, melhora na confiança dos agentes, demanda resiliente e expansão do comércio internacional. Houve também sinais consistentes de repasses limitados das pressões de custos pelas empresas, ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo e pressões salariais contidas. Ou seja, o recrudescimento do conflito no Oriente Médio, incluindo a interrupção efetiva ou potencial de fluxos marítimos em importantes rotas da região, ocorre em um ambiente macroeconômico benigno, com crescimento da atividade e pressões inflacionárias contidas.
A conjuntura nos EUA foi particularmente emblemática nesse sentido, já que a pressão sobre a curva de juros ocorreu de forma a manter as medidas de inflação implícita praticamente estáveis. Isso foi determinante, assim como os dados mais fracos de mercado de trabalho e de inflação corrente, para a decisão de manutenção dos juros pelo Fed. Diante de riscos de alta para a inflação e de um efetivo aumento dos juros reais ao longo da curva, houve preferência por aguardar mais dados antes de validar um aperto monetário por meio de um aumento da taxa básica de juros.
É importante ressaltar que a decisão do Fed, por si só, foi um evento de risco relevante para os mercados em julho. Essa foi a segunda reunião presidida por Kevin Warsh, realizada em um contexto no qual o mercado precificava parcialmente uma alta de juros. A decisão de manter os juros, sem unanimidade e com questões relevantes permanecendo em aberto após a coletiva de imprensa, acabou levando a um movimento mais intenso de desvalorização do dólar e de alta relativamente maior dos juros nos prazos mais longos da curva (steepening). Dadas as mudanças em curso na dinâmica operacional do Fed, esse tipo de reação tende a se tornar mais frequente, embora com riscos em ambas as direções. O movimento fundamental observado no mês foi, de fato, a elevação dos juros reais com inflação implícita contida.
Essa ausência de urgência para agir também foi, em certa medida, a tônica das demais reuniões de política monetária ocorridas em julho. A manutenção dos juros foi bastante surpreendente no caso da África do Sul, onde o choque nos preços de energia ocorreu em meio a um processo ainda incompleto de convergência da inflação para a nova meta. Por outro lado, a decisão esteve dentro do esperado nos casos do Reino Unido e do Canadá, onde predomina a percepção de que há folga na economia para absorver choques de oferta. No caso da Zona do Euro, onde a rigidez do núcleo da inflação e a economia próxima do potencial demandam uma política monetária mais restritiva , a manutenção dos juros em julho não alterou a expectativa predominante de que a alta em junho não terá sido a única.
Por fim, destacamos, na América Latina, a dinâmica dos mercados de juros no Brasil e no Chile. No caso do Brasil, o acúmulo de sinais de desaquecimento da economia e números mais benignos de inflação corrente sustentaram um cenário de continuidade do ciclo de cortes de juros pelo banco central, com queda na parte curta da curva. A parte longa, porém, segue pressionada pela combinação do ambiente externo descrito acima e da percepção de risco fiscal. Por outro lado, essa retomada de um cenário de maior pressão nos preços da energia levou o banco central do Chile a adotar uma postura mais neutra em relação aos movimentos futuros, conciliando a fraqueza cíclica da economia com o choque global de energia e levando a curva de juros a voltar a incorporar um prêmio de alta.
Posicionamento Multimercados
Opp Total FIC FIM | Opp Total Evolution FIC FIM | Opp Market FIC FIM
Opp BTG Previdência FIC FIM | Opp Icatu Previdência FIC FIM
No Brasil, mantivemos posição comprada em NTN-Bs, bem como uma exposição seletiva em ações domésticas, priorizando empresas que aliam potencial de valorização em um cenário de fechamento da curva de juros a níveis atrativos de carrego.
Nos Estados Unidos, permanecemos posicionados em empresas de tecnologia expostas ao tema de inteligência artificial. Entre as estratégias mais cíclicas, iniciamos uma posição aplicada no trecho intermediário da curva de juros da República Tcheca. Adicionalmente, estivemos aplicados nas curvas de juros do Canadá e do México ao longo do mês.
Renda Fixa Ativa
Opportunity Income FIC FIF RF LP RL
Mantivemos as posições aplicadas em juros reais longos no Brasil e em juros nominais no México. As posições aplicadas na África do Sul e na parte intermediária da curva nominal no Brasil foram reduzidas, enquanto a posição tomada em juros nos EUA foi aumentada. Encerramos as posições aplicadas em juros reais longos na Zona do Euro e em juros nominais no Canadá. Introduzimos uma posição aplicada no Reino Unido – relativa com tomado na Zona do Euro –, além de posição tática em steepening da curva em Polônia.